quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Recriar o amor


- Anda cá e beija-me…
Manuel olhou surpreso para a expressão no rosto de Eduarda. Seria real? Ou ela iria desaparecer frente aos seus olhos como já acontecera no passado?
Hesitou em tomá-la entre os braços e fazer aquilo que ela lhe pedia. O seu coração magoado não se permitia acreditar em tamanha felicidade.
Mas desta vez Eduarda teimava em não desaparecer. Estava ali, à sua frente, já tarde na noite, com ar de quem tinha vindo a correr, sem fôlego, o cabelo desalinhado, os lábios ainda mais vermelhos.
Receava ter chegado demasiado tarde, mas tal não acontecera. O avião de Manuel partia apenas de manhã para Londres, apesar das malas já estarem feitas e arrumadas a um canto da sala. Quando escutara a campainha, o jovem andava ainda às voltas na cama, a tentar conciliar o sono, mas apenas se conseguia lembrar que Eduarda faltara ao encontro, que não o amava, que nada podia mudar e que, por isso, sair do país era de facto a única maneira de a conseguir esquecer.
Toda aquela história começara à dois meses atrás, quando se tinham conhecido num curso de Arte, em que Manuel se inscrevera, enquanto faltavam algumas semanas para a sua partida para Londres em trabalho.
Logo na primeira aula, reparou em Eduarda. Era de estatura média, corpo magro, tinha o cabelo castanho claro bem curto e um rosto de anjo, que nem os olhos maquilhados de preto conseguiam esconder. Sem se dar conta, esteve durante bastante tempo a olhar fixamente para ela, de modo que era inevitável que a jovem não reparasse.

Foi a vez de Eduarda virar o rosto na sua direcção e perscrutar o seu rosto com curiosidade. Por fim, lançou-lhe um sorriso, breve, é certo, mas que lhe deu coragem para a convidar para beber um café depois da aula, com uma timidez que, apesar de autêntica, pareceu jogar a seu favor, pois ela aceitou.
Tornou-se hábito desde então, depois da aulas que aconteciam três vezes por semana, irem até ao café ao lado e passarem horas a conversar. Aos poucos, foram-se conhecendo melhor, descobrindo pontos em comum e Manuel sentia-se cada vez mais apaixonado. Questionava-se então sobre os sentimentos de Eduarda. Mas se havia momentos em que, pela forma como ela o contemplava ou por uma palavra qualquer que dizia, se sentia plenamente amado, outras havia em que ela parecia esquivar-se a qualquer tipo de aproximação da sua parte.
Por isso adiava a ocasião em que iria confessar os seus sentimentos. Se ela ainda nem sequer lhe dera o número de telefone…
Um dia, porém, não aguentou mais e, quando já estavam da rua, as palavras brotaram espontâneas da sua boca. Tinham ficado os dois imóveis no meio da rua. Eduarda ficou em silêncio após a declaração de amor, mas não fugiu quando Manuel a beijou com ardor. Antes pareceu entregar-se com todo o seu corpo e alma.
Essa noite foram para casa de Manuel. Tornaram-se um só ser, um só corpo. Eduarda rendeu-se aos gestos de Manuel, à forma como ele desbravou o seu corpo, com ternura, desejo e paixão, feliz por sentir que a sua respiração se acelerava à medida que ele a despia e beijava os seios, as nádegas, os ombros, a cintura, a púbis. Entrou dentro de dela devagar, sentindo-a frágil e, ao mesmo tempo, vibrante sob o seu corpo, respondendo em completa sintonia aos meandros e ao ritmo do seu próprio desejo. Era como se estivessem unidos além daquele espaço, daquele tempo…
Todavia, o sonho desfez-se quando despertou na manhã seguinte, sozinho. Eduarda deixara-lhe uma carta, onde contava tudo: ela tinha alguém e não reunia a coragem necessária para deixar uma relação estável por uma aventura, por muito apaixonada que estivesse.
Primeiro, Manuel entrou em desespero. ‘Uma aventura?’ repetia, enquanto pensava que, por causa de Eduarda e sem qualquer esforço, estava disposto a abdicar daquela ida para Londres! Qual a importância de um trabalho quando tinha encontrado a mulher da sua vida?
Depois, pensou apenas em como tê-la de volta. Telefonou-lhe, mas ela não atendia. Enviou-lhe uma mensagem a pedir apenas só mais um encontro. Ela acedeu. Marcaram no café habitual para daí a três dias, na véspera da partida de Manuel para Londres.
E Eduarda nunca apareceu. Desesperado, Manuel regressara para casa três horas depois e fez as malas.
Agora, horas depois, ela estava ali, a pedir para que ele a beijasse. E não era um sonho!
Por fim, Manuel apercebeu-se disso e tomou-a entre os braços. Beijaram-se. E depois Eduarda contou-lhe que terminara tudo com o namorado. Que queria arriscar. Que o amava e só desejava ficar a seu lado.
E Manuel esqueceu a hora do voo e levou-a para o quarto…

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Jogo feliz

- Gostava imenso de ficar contigo.

Cristina olhou para o rosto do jovem à sua frente. Iluminado pela suave luz da lua, os seus olhos castanhos, grandes e sonhadores, exprimiam toda a paixão que lhes incendiava a alma. Teria ela a coragem de lhe estender a mão, desprezar o passado e receber o convite de se entregar ao amor?

Naqueles minutos, todas estas dúvidas lhe perpassaram o espírito. A primeira vez que vira Pedro, quando ainda estava com António, fora quando entrara de surpresa no apartamento do namorado. Estavam os dois na sala, ‘embrulhados’ um no outro, quando a porta se abriu e eis que um rapaz dos seus vinte e poucos anos, cabelos compridos e olhos enormes abriu a porta. Ao deparar-se com aquela cena, ficou atrapalhado. Bem como Cristina, que tentou descer a saia para lhe tapar as pernas, enquanto corava. O único que ficou à vontade foi António, que logo passou às apresentações:

- É o Pedro, já te falei dele, está a dividir a renda comigo.”

Cristina simpatizou de imediato com o jovem. Era bonito, mas comportava-se como se não o soubesse. Era simpático, sem ser convencido. Era meigo sem ser melado. Isto conclui naquela tarde juntos e nos encontros sucessivos em casa dos dois jovens.

Era feliz – tinha um namorado por quem andava de cabeça perdida e encontrara um bom amigo. Mas o sonho de felicidade foi curto. Por que António era o tipo de homem que conviva com dificuldade com a noção de monogamia. Não tardou que Cristina descobrisse que ele mantinha um caso com uma das suas amigas. Nesse dia foi até ao apartamento de António para o confrontar. Quando entrou, de cabeça perdida, nem reparou que não estavam sozinhas, pois Pedro estava sentado no sofá da sala.

Acusou António de a trair. A máscara abandonou-o logo:

- Sim, é verdade, já estava farta de ti. Contente? Agora, se não te importas, sai da minha casa.

Ao ouvir estas palavras, Cristina empalideceu. Pedro levantou-se:

- Vê lá como falas com ela – disse, em voz firme.

António olhou-o com desprezo.

- A mim não me enganas. Querias a Cristina para ti mal lhe puseste os olhos em cima dela. Agora, é toda tua…”

O outro dirigiu-se para ele, zangado. Mas a voz de Cristina chamou-o à razão. Em vez disso, Pedro virou costas a António e acompanhou Cristina até à rua. Caminharam em silêncio. Ela chorava e Pedro colocou o braço sobre os seus ombros, numa atitude protectora. Cristina encostou a cabeça ao seu peito, como uma menina pequena…

Nesse dia, e nos outros que se seguiram, foi ao apoio de Pedro que a ajudou. Tinha a auto-estima em baixo, achava que nunca iria ser feliz. Pedro era uma presença constante. Foi ele que dormiu desconfortável nessa noite para que não ficasse sozinha. Era ele quem a desafiava a sair de casa para passear quando insistia em nem sequer sair da cama. Lentamente, a dor de Cristina foi passando e o seu sorriso regressou.

Estava tão habituada à presença, que nem dava muito bem por ele! Há coisas assim – quem disse que o amor nasce súbito e avassalador? Por vezes, instala-se de mansinho e apanha-nos desprevenidos. Com Cristina, foi assim que tudo se passou. Telefonava a Pedro todos os dias, encontravam-se para ir ao cinema, jantar fora ou simplesmente conversar. E assim se passaram semanas. Até àquela noite em que foram juntos a uma festa. Quando a jovem deu por si estava a dançar nos braços de Pedro, a sentir o seu corpo pela primeira vez e a desejá-lo. Estavam os dois sob o efeito do álcool e isso pareceu torná-los duas pessoas diferentes. Lembra-se de terem ido até ao seu apartamento. De se terem beijado longamente ainda no elevador. De se sentir dominada pelo desejo de ser possuída por ele uma forma que nunca experimentara antes. De pensar que a boca de Pedro era mágica, capaz de a levar à loucura. A beijarem-se loucamente foram até ao quarto. Ele despia-a com meiguice e ardor e ela viu que os seus olhos estavam deslumbrados à visão do seu corpo. Ela fez o mesmo, com as suas mãos, que passearam pelo seu peito nu e musculado. Estavam ambos esquecidos do certo e do errado, de todos os medos.

Cristina deitou-se na cama. Pedro deitou-se sobre ela. E depois penetrou-a com suavidade, fazendo-a estremecer de desejo. Os seus movimentos eram ritmados e pareciam adivinhar as ondas do seu desejo, como se comunicassem com os corpos e com os pensamentos. E assim se amaram uma, duas, três vezes aquela noite, incansáveis, ardentes, loucos.

De manhã, Cristina foi a primeira a acordar. Viu o corpo nu de Pedro estendido a seu lado. E assustou-se. O que tinha feito? Dormido com o único amigo que poderia contra. Nada poderia ser o mesmo! Vestindo-se à pressa, saiu do apartamento. Nesse dia não lhe atendeu as chamadas. Não sabia o que dizer. Até que ele a esperou quando saiu do emprego, já tarde. Chamou o seu nome na rua deserta. Aproximou-se. Olhou-a demoradamente. E Cristina estava, agora, ali, sob o luar, a assistir à declaração de Pedro. Ele tinha ganho coragem de vencer a timidez e estava ali, a dizer que a amava, que a desejava, que não sabia viver com ela. E Cristina sabia que estava a um passo de decidir toda a sua vida – se iria desistir do amor ou aceitá-lo, com todos os seus riscos. Ao calar Pedro com um beijo, soube que tinha dito sim à vida.



sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Paixão insuspeita


- Estou farta disto. Consegues dizer-me o que se passa de errado com os homens?

Marta suspirou. Quem lhe dera ter a resposta para as questões da amiga. Mas desconhecia tanto como ela o que lhe ia naquelas cabeças.

Rute decidiu desabafar e contar a Sara a última desilusão com o namorado: 

- Sabes o que ele teve a coragem de me fazer? Disse que ia jantar a minha casa. Eu preparei tudo, escolhi o vinho, pôs a mesa. Nove, oito, dez da noite e ele nada. Tentei ligar-lhe e o telemóvel estava desligado. Até que, por fim, perto das onze, consegui falar com ele. Sabes o que me respondeu: tinha-se esquecido e acabado por ir ao ginásio. Achas normal? Isto depois de não me ter visto a semana toda!

Um sorriso triste surgiu no rosto de Marta… Era tão comum escutar essas histórias, que até tinha medo de pensar se Frederico poderia ser real. Seria realmente de carne e osso? Poderia existir alguém tão dedicado e correcto? A verdade é que não o conhecia assim há tanto tempo como isso, motivo para que o lado mais céptico da sua mente a obrigasse a desconfiar. “Quando a esmola é demais, o santo desconfia”, já lhe dizia a sua mãe.

Rute, porém, estava completamente descrente:

- Por isso, amiga, tem cuidado com esse homem que te está a colocar a cabeça às voltas. Olha que dos homens nunca se pode esperar coisa boa.

Marta suspirou. Devia contar à amiga que aquela seria a primeira vez que ele ia ao seu apartamento. Será que lhe podia acontecer o mesmo do que a Rute? Tentou afastar da sua cabeça esse pensamento. Agradava-lhe acreditar que iam acabar os dois na cama, a rebolarem nos lençóis. Como é que ele seria na cama?

Adivinhando que a amiga se preparava para lhe fazer um demorado discurso sobre os perigos do sexo oposto, preferiu remeter-se ao silêncio, dar o assunto por encerrado e ir até casa, onde tinha de preparar o jantar.

Enquanto rodopiava pela cozinha, recordou-se do que pensara quando conhecera Frederico na festa da empresa. Ele dirigira-se até ela com um cocktail na mão, que educadamente lhe oferecera, mostrando-se chocado com o facto de ela estar sozinha. Era tão atraente dentro do seu fato Armani que, habituada como estava a desilusões, logo lhe ocorreu ao cérebro a seguinte frase: “só pode ser casado!” Nas mãos, não havia sinal de aliança e, após uma hora de conversa e de flirt, não surgiu nenhuma alusão a namorada ou mulher, apesar de Marta ter abordado a questão com subtileza. Mais tranquila, deixou-se conduzir pela sua vontade (ele era mesmo bonito) e deu-lhe o número de telefone. Duas saídas e agora Frederico estava a poucos minutos de bater à sua porta. E ainda tinha de se arranjar!

Correndo para o quarto, escolheu o vestido mais sexy que tinha no armário. Se era para impressionar, era para fazê-lo à grande, que estava à demasiado tempo sozinha para se atrever a ser pudica.

Mal acabara de se arranjar, o som da campainha ecoou no pequeno apartamento. “Que pontual”, pensou com satisfação e aproximando-se da porta um pouco trémula. Abrindo-a, deparou-se com um Frederico sorridente e elegantemente vestido à sua frente, com um ramo de rosas na mão e uma garrafa de vinho tinto na outra. Parecia mesmo uma cena de filme, daquelas com que, apesar de pirosas, sonhamos a vida toda… Frederico chegou ao ponto de arregaçar as mangas na cozinha e ajudá-la a terminar o jantar, tudo sem perder um certo ar de galã de cinema que lhe ficava a matar.

Enquanto ponha a mesa, Marta ia olhando por detrás do ombro para Frederico, encostado à bancada a cozinha a preparar um molho que dizia ser especialíssimo. Os ombros largos, as nádegas firmes, tudo a fazia suspirar e desejar que o jantar rapidamente chegasse ao fim para saltarem para assuntos mais importantes.

O jantar demorou. Mas isso não foi de modo algum sinal de que ele fosse uma companhia aborrecido. Antes se mostrou, como das outras vezes, espirituoso e divertido. Beijaram-se quando o café estava servido, ainda sentados à mesa. Um beijo de primeiro amor, tímido e desastrado, mas com um encanto inesperado para Marta. Tudo mudou quando se sentaram lado a lado no sofá. Aí as bocas colaram-se com paixão e as mãos de Frederico começaram a demonstrar toda a maturidade de um homem de trinta anos. E que maturidade! Elas eram suaves, ágeis, indiscretas, carinhosas, Capazes de despertar mil sensações fabulosas em qualquer pedaço de pele que tocasse. Marta sentia-se arrastada para um sonho de prazeres desconhecidos.

As mãos de Frederico continuaram o trabalho, coadjuvadas pelos lábios macios e voluptuosos que lhe beijavam os seios e os mamilos. Ele ia a despindo lentamente até que a pele branca de Marta ficou exposta aos seus olhos. Dos seios, a boca deambulou pela barriga, pela cintura e desceu lentamente até a púbis, encontrado o caminho entre as suas pernas. Acariciou-a de demoradamente até Marta não conseguir conter um orgasmo intenso, poderoso.

Foram então para o quarto, onde Frederico tirou as roupas e ela acariciou com os lábios o pénis erecto que, por fim, entrou dentro dela, com um vigor que a fez delirar. E a noite de amor continuo quase até de madrugado.

Ao acordar, Frederico não estava lá. Ao lado da cama, um bilhete de amor a dizer que aquela fora a melhor noite da sua vida.

Nesse final de tarde, Marta encontrou-se com Rute. Estava nas nuvens e decidida a contar-lhe o que se passara. Mas a amiga, entusiasmada, nem a deixou falar. Falara com o namorado há cinco minutos e ele iria levá-la a jantar a um restaurante de luxo para redimi-la do facto de não ter estado com ela aquela semana. Pelo meio, ocorreu-lhe uma ideia:

- Nunca viste uma fotografia dele, pois não? – disse, ao mesmo tempo que estendeu o telemóvel à amiga.

Quando marta olhou para o visor, todo o seu corpo estremeceu. Porque ali, na fotografia, sorridente, estava, nada mais nado menos, do que Frederico. Aquele que a levara às nuvens a noite passada e, passadas poucas horas, a fazia descer ao Inferno.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Duas noites de amor



Ao ar livre, a música parecia envolver todo o seu corpo. Era como se dissipasse no espaço e não existissem limites… Olhou em frente. Ele ainda ali estava, a poucos metros, praticamente sem se mexer, a contemplá-la no meio do fumo e das luzes intermitentes. “Não vou ter com ele”, pensou, triste, repetindo as palavras como se se tratassem de um mantra. Mas o corpo amolecia ao sentir o olhar dele preso à sua pele. “Se cederes ao teu desejo, esta história nunca vai terminar…” Porém, ele estava tão perto, com os olhos verdes esmeraldas rasgados, a boca que formava o mais inebriante dos sorrisos, o corpo elegante e sensual. E Paula sabia, com cada célula, que ele a desejava com intensidade.


Fechou os olhos, tentando dessa forma abstrair-se da realidade. Recordou a primeira noite. Esbarrara com ele naquele mesmo local. Ele segurara-a com os braços musculados, impedindo-a de cair no chão. Trémula, Paula agradecera-lhe, sentindo, ao contacto com as mãos, um formigueiro a percorrer-lhe a pele. Os lábios de Martim abriram-se num sorriso, os olhos verdes brilharam e perguntou-lhe o nome, com uma voz ligeiramente rouca. Como que hipnotizada, Paula respondeu. O que aconteceu depois, foi surpreendente. 

Dançaram toda a noite, os corpos crescentemente mais próximos, as pernas a tocarem-se, as mãos dele na sua cintura, descendo depois com volúpia pelas coxas bem delineadas, o cheiro que se libertava do seu cabelo a inebriá-la. Nunca se tinha entregado assim a um homem logo da primeira vez que o conhecera, nem sentido frisson quando ele, enlaçando-lhe a cintura com firmeza, começou por beijar-lhe o pescoço, as orelhas, as faces, o canto dos lábios, para, por fim, tocar a sua boca, envolvendo-a num beijo intenso, profundo, que lhe roubou o folego. Saíram dali para o apartamento dela, onde Martim, deitando-se sobre a cama, lhe pediu: “despe-te para mim”. De início, a natural inibição de Paula veio ao de cima, mas ele repetiu o rogo com tanta emoção e desejo expresso no rosto moreno, que, pensando “por que não”, Paula deu por si a mover as ancas com sensualidade, sentindo-se uma figura das Mil e uma noites. Primeiro a camisola de alças caiu no chão, depois, a saia curta. 

Por fim, virando-se de costas, despiu o soutien. Virou-se, tapando os seios com as mãos. Ele observava-a com os olhos brilhantes e um sorriso rendido. “Deixa-me vê-las.” Devagar, Paula deixou expostos os seios rosados. Todavia Martim não estava satisfeito. Sob as calças, Paula deu conta do pénis já ardendo de desejo. Mas antes pediu-lhe para tirar o string. Só a seguir se ergueu da cama, se aproximou e a começou a beijar, pedaço a pedaço. Paula estava também mergulhada na vertigem louca da volúpia. Despiu-o com avidez, cobiçando tocar, cheirar, beijar aquele corpo… O desejo era de tal forma ardente que ele a penetrou de pé, contra a parede, suspendendo-a no ar com as nádegas nas suas mãos. O orgasmo foi rápido, intenso e avassalador, uma subida apoteótica aos céus, uma chuva de estrelas que se abateu naquele quarto. Amaram-se toda a noite, até que adormeceram esgotados.

Na manhã seguinte, ao acordar, Martim não estava lá. Apenas uma rosa vermelha que ele devia ter roubado no canteiro da vizinha. Dividida entre a desilusão e a raiva. Paula tentou retomar o rumo normal dos dias depois daquela noite. Mas, no sábado seguinte, na esperança de reencontrá-lo, regressou à mesma discoteca, junto ao mar. Procurou-o com os olhos, porém foi ele que lhe surgiu à frente, de surpresa, arrastando-a para um lugar mais sossegado, Nos olhos dele, o mesmo brilho. As palavras, breves, foram murmuradas: “Senti a tua falta”. Depois um beijo, muitos beijos, e mais uma noite de amor.

Após de terem saciado o desejo nos braços um do outro, Paula perguntou-lhe: “Vais desaparecer novamente?” Martim ficou pensativo. “Há uma coisa que tens de compreender se me queres voltar a ver – não me podes tentar prender.” Paula pensou ripostar com fúria, mas consegui perguntar calmamente: “Não estás apaixonado por mim, é isso?” Nesse instante, ele olhou-a com carinho e puxou-a para junto do peito nu: “Não percebeste, pois não? Isto não tem nada a ver com aquilo que sinto. É uma questão da minha maneira de ser.” Paula não compreendia. Tinha a certeza que estava apaixonada, apesar de quase nada saber a seu respeito. Desejou esquecer, disse a si própria que devia mandá-lo embora, mas deixou-se ficar, segura nos seus braços até que o sono a venceu. E ele não estava lá de manhã, apenas mais um rosa vermelha.

A semana seguinte passou como se estivesse sonâmbula. Desejava vê-lo e prometia a si mesmo não regressar ao mesmo lugar. Os amigos diziam que ela era louca, que se tratava de mais um Juan de bolso, que andava por aí a seduzir raparigas na noite. “Não sabes nada dele”, repetiam. Ela ainda pensava responder que sabia que ele adorava passear descalço pela praia em noites de luar, que gostava de ver a forma como a luz se refletia no seu rosto, que amava o som do jazz… Confidências de duas noites de amor que valiam mais do que dez anos de conversas. Mas voltou. Encontrou-o sozinho, junto ao mar, afastado da confusão. Dirigiu-se até lá com passo seguro. Ele adivinhou a sua presença, dizendo, ainda de costas: “Pensava que nunca mais chegavas…” Porém, Paula tinha tomado uma decisão: “O que aconteceu entre nós não se vai repetir. É só isso que te queria dizer.” E, com lágrimas nos olhos, regressou para a pista, onde a música a envolveu. 

Agora, estava ali, sentindo-se observada fixamente por ele, que porém não vinha ao seu encontro. Com medo de ceder, despediu-se dos amigos e correu porta fora. Aquele sonho (ou pesadelo) terminara. Mas quem dizia que o conseguia esquecer? A imagem de Martim colara-se de tal forma às paredes do seu cérebro, que dois dias passaram em que não conseguiu dormir… Pensou ir ter com ele no próximo fim-de-semana, era preferível estar infeliz com Martim do que sem ele. Contudo, não foi necessário voltar. Porque, ao final do terceiro dia, ele esperava-a, sentado nos degraus da porta, um ramo de rosas na mão. Sorriu-lhe ao longe e, quando Paula se aproximou, lançou-lhe o mais radiante do sorriso, “Será que podemos começar do novo?”, perguntou, quase junto à sua orelha. “Sem fugas de madrugada?”, retorquiu Paula. “Prometo”, disse, antes de envolvê-la num beijo.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Despertar do engano

”Anda cá e despe-me.” Foi com estas palavras que Anabela o esperou. Tinha vestido um vestido comprido, de cetim, com alças finas, que se moldava ao corpo a cada movimento. Pedro sentiu-se dividido – viera dizer-lhe que estava tudo acabado, mas ela mostrava-se novamente como uma pantera. Como se adivinhasse o que se passava, usava as suas armas mais poderosas – o corpo, felino, para o levar a adiar uma decisão. Desta vez seria forte.

Mas ela aproximou-se e colou-se a ele, os seios duros contra o seu peito, e logo a mão pousou entre as suas pernas com movimentos sensuais. Ela baixou-se, tirou-lhe o cinto, ignorando o pedido para que esperasse, por que tinham de conversar. Levantou a cabeça e sorriu-lhe, antes de abrir o fecho e segurar entre os dedos o pénis que transportou até aos lábios vermelhos e começou a sugar. Uma vertigem envolveu-o quando sentiu que o orgasmo se aproximava…

A seguir, segurando-o pela mão, levou-o para o quarto, prendeu-lhe as mãos à cama e, levantando o vestido, sentou-se em cima dele. O pénis (porque tinha de ser tão desobediente aos desígnios do seu cérebro), estava de novo erecto e entrou dentro dela. Anabela, com movimentos voluptuosos, conduziu-os, mais uma vez, a um orgasmo podero. No final, Pedro tinha perdido a coragem. Apesar de, por vezes desconfiar que Anabela fazia aquilo de propósito, ela mostrava-se sempre tão apaixonada quando faziam amor… E mais uma vez passou a noite em casa dela, prisioneiro do desejo que parecia ser capaz de o conduzir à escravidão.

No dia seguinte, quando entrou no escritório, ligou a Sara. “Vamos almoçar?”, perguntou. A jovem aceitou o convite e o coração dele batia mais depressa.

Chegou mais cedo ao restaurante e bebeu um martini enquanto aguardava. Por que insistia em manter a esperança? Ele namorava com Anabela e Sara era sua amiga. Tinha-as conhecido quase ao mesmo tempo, numa festa. Mas enquanto Anabela sobressaíra pela sua beleza, Sara era mais tímida, quase envergonhada de existir. A primeira seduzira-a em cinco minutos, mas o início dessa relação marcou também o princípio de uma amizade crescente com Sara. Aos poucos, nos momentos em que estavam juntos, aprendera a gostar de se escapulir uns minutos para junto dela, principalmente nas festas barulhentas que Anabela tinha a mania de organizar, com dezenas de pessoas desconhecidas e música ensurdecedora. Nesses instantes, falavam e descobriam um monte de afinidades, que os tornavam cada vez mais cúmplices. Sem se aperceber de início, e há medida que a futilidade e o materialismo de Anabela se tornavam mais óbvios, Pedro ia-a usando como ponto de comparação. E Sara, a doce e sensível Sara, com as suas feições angelicais, saía sempre a ganhar.

Tinham ganho o hábito de almoçar juntos duas vezes por semana. De início, falava de Anabela e Sara era solícita nas tentativas de ajudar a resolver o crescente afastamento do casal. Depois, esse tópico foi deixando de fazer parte da conversa, que versava sobre eles, os seus sonhos, ambições e tristezas. Anabela costumava gozar com esses almoços: “Devem dizer mal de mim o tempo tudo”, dizia, só para chamar a atenção sobre si própria, apesar de, no fundo, ter uma opinião tão boa sobre si mesma que tal ideia era inconcebível. Nem sequer se dava ao trabalho de mostrar ciúmes – homem que a tivesse a ela não podia desejar mais ninguém…

Nesse dia, Pedro estava decidido a contar a verdade a Sara – que queria terminar tudo com Anabela. O resto– que estava apaixonado por ela – dir-lhe-ia mais tarde. Não seria o momento certo.

Sara chegou, mas desde logo Pedro compreendeu que algo mudara. Não parecia à vontade, como se algo a perturbasse. Antes de tentar perceber o que se passava, desabafou – “Vou terminar a relação com a Anabela”. Sara empalideceu. “Mas como? Ela vai ficar destroçada…” , disse. “Sabes que não temos nada em comum e que há muito que não me sinto feliz. Chegou o momento. Se ao menos ela facilitasse…” E contou-lhe como, na noite anterior, chegara decidido e ela conseguira, mais uma vez, adiar o momento. Sara pareceu irritada – “Se quisesses realmente fazê-lo, não ias nos seus jogos de sedução.” De seguida, fez um esforço para acalmar-se.Também tinha algo a dizer, confessou. “Temos de acabar com estes almoços. De facto, acho que devemos estar um tempo sem nos vermos. Não faças perguntas. Mais tarde, talvez te possa explicar.” Com os olhos molhados, levantou-se da mesa. Mas antes, Pedro segurou-lhe na mão. Sentiu que todo o corpo de Sara estremecia com aquele contacto. Puxou-a de novo para a mesa. “Quanto mais tempo vamos fingir um ao outro que nada aconteceu nestes últimos meses?” , perguntou. Viu Sara empalidecer e ficar ainda mais nervosa. Desta vez, não conseguiu conter as lágrimas. “Tinha tantas esperanças que fosse apenas eu… Seria mais fácil.”, confessou. “Eu sinto o mesmo que tu e não podemos fingir que isso não é real. Vou acabar com a Anabela mas é para ficar contigo.”

Olharam-se demoradamente. Estava tudo dito. Sara tinha a cabeça baixa e as lágrimas corriam. “Nunca me vou perdoar. É como se fosse traição. Ela é minha amiga.”, desabafou. Pedro sentia-se demasiado seguro do que sentia para deixar que o momento se perdesse: “Nem tu nem eu tivemos culpa. A Anabela vai ter de compreender isso. Vamos embora daqui.”

Beijaram-se pela primeira vez num miradouro com vista para o rio. O sol brilhava num céu onde brincavam algumas nuvens. Nunca Pedro esqueceria aquele beijo, a doçura e a paixão contidos nos lábios de Sara. Levou-a para sua casa, onde a despiu devagar, beijando-lhe tudo o corpo, de uma beleza quase éterea. Fizeram amor abraçados, sentido os corações a bater em uníssomo, a pele suada, o ritmo do prazer de cada um.

Há noite, Pedro tomou um banho e vestiu-se. Beijou Sara demoradamente. Dirigiu-se a casa de Anabela, que o esperava. Desta vez, a porta estava entreaberta. Chamou-a e ela respondeu do quarto. “Veste-te. Temos de conversar.” Anabela ainda lutou. Saiu dos lençóis, onde o esperava, e mostrou o corpo nu, voluptuoso. Mas, desta vez, nada tremeu dentro de Pedro. O rosto fechado fê-la hesitar. Envolveu-se num roupão. Escutou o que ele tinha para lhe dizer. Depois, com desprezo, limitou-se a dizer que ele tinha feito a pior opção da sua vida. Quem possuira alguma vez uma mulher com ela nunca mais encontraria ninguém que o satisfizesse. Pedro limitou-se a sorriur e encolher os ombros. “Como estás enganada”, disse, antes de bater com a porta da rua pela última vez.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Virgindade perdida



Isabel passeava pelas ruas, contemplando as montras e observando melancolicamente a sua imagem refletida nos vidros. Não era uma mulher que desse nas vistas, sabia-o bem. Os óculos de massa escura ocultavam os olhos de um azul água, o cabelo estava apanhado sem grande jeito, uma forma de domar os caracóis rebeldes, e as roupas largas disfarçavam as formas do seu corpo.

"Não és propriamente a Kate Moss", pensou, enquanto, com um suspiro, empurrava a porta da agência de publicidade onde trabalhava. 

Interiormente, acreditava que era um caso completamente perdido. Consolava-se ao conjeturar que não devia ser a única virgem de trinta anos no Planeta Terra. Deviam existir pelo menos mais duas como ela.
No exato minuto em que se sentou à secretária, a colega do lado perguntou em voz baixa: "Já viste o rapaz que entrou hoje?"

Isabel, com uma expressão de indiferença, retorquiu: "Não podes ver um homem!"

E prometeu a si própria mostrar-se imune à mais recente contratação da agência. Detestava a figura de parva que algumas mulheres faziam quando encontravam um homem atraente e recusava-se a juntar-se a esse número.

Nesse momento, uma voz grave fez-se ouvir atrás de si: "Será que me podes ajudar? Estou aqui desesperado à procura da máquina de café…"

Isabel ergueu os olhos azuis que pousaram num rosto moreno e atraente, emoldurado por um cabelo negro e ondulado. "Peço desculpa pela minha urgência, mas sou completamente viciado em café. Ainda nem sequer me apresentei. Sou o Vasco e tu..." "Chamo-me Isabel e a máquina de café é no fundo do corredor à esquerda", respondeu ligeiramente embaraçada. É que ele era mesmo atraente. E para ficar ainda mais embaraçada, Vasco disse-lhe: "Já tomaste café? Posso oferecer-te um? Afinal, é o meu primeiro dia aqui e não conheço ninguém?"

Espantada pela gentileza, Isabel aceitou acanhadamente e caminhou a seu lado até junto da máquina, sentindo-se observada por todas as colegas. Mas a conversa entre ambos acabou por fluir naturalmente, à medida que ele colocava questões sobre o funcionamento da agência. Por fim, regressaram aos seus lugares e Isabel descobriu que a secretária de Vasco ficava exatamente à frente, pelo que era impossível evitar contemplar o rosto atraente e o corpo elegante do colega.

A primeira semana passou, algumas palavras foram trocadas entre ambos e, por diversas vezes, a jovem apercebia-se do olhar de Vasco pousado em si. Até que, um dia, quando se preparava para sair, ele se aproximou e, discretamente, inquiriu: "Haveria possibilidade de aceitares jantar comigo?".

O espanto não permitiu que Isabel refletisse na resposta, porque, nesse instante, um "sim" soltou-se da boca.




Vasco levou-a a um restaurante agradável e dirigiu a conversa com bom humor e inteligência. Aos poucos, a atenção do colega e o efeito libidinoso do vinho exerceram o seu efeito. Isabel deixou de se achar feia e desinteressante e entregou-se ao prazer de estar ali, com um homem atraente e sedutor que simpatizava com ela.

No final da refeição, Vasco pegou-lhe na mão, dizendo: "Sabes que és uma mulher muito atraente? Se não escondesses os olhos por detrás dessas lentes, se soltasses o cabelo e te atravesses a usar outras roupas, todos olhavam para ti!".

Ela corou e remeteu-se a um silêncio acanhado, até que Vasco a arrastou para a rua, a puxou para si e a beijou com firmeza, não a deixando fugir, mesmo que ela tivesse tentado durante alguns segundos. Por fim entregou-se e durante alguns minutos, beijaram-se como se estivessem sozinhos no centro da grande cidade.

Por fim, com um sorriso terno, Vasco disse que a ia levar a casa. Todo o percurso conduziu em silêncio, dando espaço aos pensamentos da companheira. Mas, quando chegaram ao destino, a jovem ganhou coragem para obedecer ao seu desejo: "Queres subir e beber um café?"

‘Claro que sim’, responde com um sorriso. O coração de Isabel bateu mais depressa.

 Já na sala do seu pequeno apartamento, Vasco tentou novamente beijá-la mas Isabel afastou-o, levantando-se de um salto do sofá e dizendo com a voz a fugir: "Vou preparar qualquer coisa para bebermos". Era apenas a maneira de disfarçar o tremor que invadia o seu corpo e de arranjar tempo para interiorizar que estava em sua casa, com um homem e que ele a desejava como mulher. E agora? Tudo dependia de si. Estaria preparada para se entregar?

 Se durante tantos anos erguera um  muro à sua volta e não deixara ninguém aproximar-se. E quanto mais os anos passavam, mais complicado era libertar-se das suas inseguranças e da vergonha de nunca ter tido sexo na vida.

Voltou à sala com dois copos de vinho na mão e sentou-se no tapete, rodeada de almofadas, junto à lareira onde Vasco ateara um agradável fogo. "Sentes-te bem?", perguntou o rapaz, ao observar o rosto pálido de Isabel.

Nesse instante, ela tirou os óculos e, sem pensar, os seus lábios procuraram os dele com toda a sofreguidão que tinha encerrado dentro de si. Depois, despiu-lhe a camisa e, com a língua, explorou cada centímetro daqueles músculos definidos como uma escultura de bronze. Subjugado pelo desejo, Vasco soltou-lhe o cabelo, que caiu em cachos sobre os seus dedos, arrancou-lhe a camisola, desapertou-lhe o soutien e uns seios redondos expuseram-se inteiros perante si. "És perfeita" exclamou, enquanto, com a boca, desbravava sequiosamente os mamilos rosados como botões de rosa.

O corpo de Isabel tremeu em contacto com a língua quente de Vasco e deixou-se simplesmente arrastar pela magia do momento. Ele reclinou-a no tapete, despiu-a completamente e contemplou aquela pele de marfim, o recorte perfeito das ancas, a linha definida da cintura e a leve pelugem loira oculta entre as pernas. Incapaz de resistir a semelhante imagem, a sua língua vagueou perdido pelos recantos mais escondidos daquele corpo, até que se deitou sobre ela.

"Estás a tremer. O que se passa?", perguntou. Isabel limitou-se a rodear com os braços o tronco de Vasco e com as pernas envolveu a sua cintura. "Nada", disse, sentindo o pénis ereto roçar-lhe o clítoris, pronto para mergulhar inteiro e sedento dentro de si. Sentindo que a vagina de Isabel se oferecia húmida ao seu membro, Pedro entrou dentro dela, mexendo-se com perícia, demorando tempo a acariciar com os lábios as ondas suaves do pescoo e sugando com prazer aqueles seios cheios que se elevavam como duas colinas na sua direção. Com uma das mãos, passeava pelas nádegas e pelas coxas da parceira. "Quero-te dar muito prazer", sussurrou-lhe ao ouvido, à medida que os gemidos de Isabel subiam de tom, até que sentia que aquela vagina se contraia nos espasmos doces de um orgasmo. O seu pénis n‹o conseguiu resistir ao grito de volúpia que se soltava da parceira e Vasco entregou-se com ela nas ondas de um prazer sem limites.

Só depois de alguns momentos, Vasco se apercebeu que umas gotas de sangue manchavam os lençóis. "Foi a tua primeira vez". Com um sorriso, Isabel acenou que sim: "Foi. E quero mais". Com os líbios, comeou a acariciar-lhe o tronco, até que a boca alcançou o pénis que, de imediato, enrijeceu. Colocando o pénis na sua boca quente, deixou que a língua realizasse pequenas acrobacias em seu redor. Quando Vasco estava prestes a atingir o orgasmo, sentou-se em cima dele. Ele colocou as palmas das m‹os nas nádegas da parceira, pressionando-as com fora, enquanto Isabel se movia sobre ele. Até que, novamente, um orgasmo os arremessou. Por fim, o casal de amantes acabou por adormecer e s— despertou com os primeiros raios de sol.

Entre risos e brincadeiras, vestiram-se e saíram para o trabalho. Entraram discretamente, com alguns minutos de intervalo, sentaram-se na secretária e o dia correu igual a todos os outros. Mas a noite, essa, só a eles pertencia.